Explosões... furto-me de mim,
canibal, quase, qual Adolfo,
cá estou a pingar as bermudas
de um hoje nú, em actos
completamente irreflectidos.
Daqui a nada estarei já saturado
de não ter já a concentração
para mensagens que hoje
não tive. Dei-me a imediatizações
e às suas imediações.
Procurei ser o acaso de onde algo
surge sem sentido, para me ir lendo
e continuando sem sentido.
Para quê? Para nada. Como consequência
natural e plena de ter hesitado,
disparei os cartuchos que se esvaziaram,
não de balas propriamente,
mas de tiros.
Conceito interessante,
mas, enfim, pouco relaxante...
Digo eu. Quer dizer...
é mais sei lá que outra coisa.
Rolei a cabeça para ali para algures
para o costume para o para.
Baila o baile bailarino e repete,
repete, repete, repete
disforme, sem dar por isso,
cláusula do habitual, o costume,
para para para para.
Contínuo, chego ao fim do post do costume.
Continuo em contínuo e continuo
em comboio sem passageiros nem carruagem,
nem céu, nem fumo, nem engrenagem,
nem nada com rodas.
No paradigma do paradoxo, da comparação
a um conceito frouxo
e redutor, esmigalhado em relação
ao conceito original, a ambiguidade
do costume, de sempre o paradigma,
sempre o sempre, e sempre a eternidade
de uma pontualidade, e sempre o fim
do pavio assinalado,
o contínuo.
Mas para quê... Que importa.
As alternativas, não, nem vamos voltar lá.
Sei que não as quero, mesmo que as procure,
e se o refiro, é porque quero alternativas.
Ora essa... Já chega em parte.
Sem querer que isto soe, sem me querer soar,
procuro-me assoar destas frases engripadas
na justaposição do costume.
Novos costumes, novos tédios, emergem decerto
ao incerto longe aqui à frente
e faço-me mais, mais e mais um eu
com novas realidades a mal ser eu,
em bermas angulares de inclinação regressiva
e fugitiva ao mesmo tempo.
Pressiono-me e descomprimo-me,
em jogos duais sem unidade
numa recuperação de línguas escondidas
por baixo do lodo sem saliva
e salivo-as com micróbios
e doençazinhas saudáveis doentias.
Tanto faz, reformulo, recompacto,
não páro - fiz um pacto
com o contínuo das erupções assoladoras
de cidades fantasma de disposição
das estradas e dos espectros.
Agressivo rompante de contrários suaves,
enleados uns dos outros em azia
interpretativa, e alguma estrutura completamente
imaginária num céu estranhíssimo, de cores
de fora do arco-íris, de ruídos para lá dos ruídos,
até mesmo daqueles que só os cães ouvem,
e no entanto audíveis e visíveis,
a olhos que palpitam e sabem fitar
transversais e diagonais
em tabuleiros redondos de xadrez redondo
ou de um jogo assimétrico,
ou qualquer recombinação do conceito um
com o conceito dois, mas em sintonia
com um sentido que não existe para lá
de um céu tão vago quão imberbe,
pois está longe do mundo dos pelos
ou das árvores ou dos cotovelos,
é completamente desprovido de identidade
que caiba numa cartografia artística,
psicológica ou autista.
É solene só passado muitos minutos,
e só num durante imesurável
sem tempo para a velocidade da luz
nos trazer brilho do céu,
mas com tempo para a adoração
perpassar em vibrações do tecido
do espaço em que somos e em que também é
esse céu que não se percebe
nem se atribui a nada, a nada, a mesmo nada...
Está ali, tão sem distância nem proximidade
nem união, oposição ou amálgama de sistemas métricos...
Está ali, e ali vai ficar,
infiltrado num sempre dos extremos pontuais do tempo
milimétrico repartido.
E eu, que não percebi muito bem
sobre o que é que escrevi,
apesar de ter percebido
que estava a escrever sobre alguma coisa,
mas que me vou branquear qual nuvem
para outras maneiras,
mais ou menos.
artigos de excursões sem fim nem princípio, no algo enevoado horizonte do Não, o desprezo do típico como inegável paixão..
Mais distensões de mim:
Outros que tais:
um Abade às Fatias
, the bittersweet cherry flavour
, sobreposições no cenário-Hugo
not your average Lady , Scriptum Tremens , um ser buscando ser , Roman Veli
not your average Lady , Scriptum Tremens , um ser buscando ser , Roman Veli
terça-feira, janeiro 31, 2006
O sopro frio do vento moído
é o movimento sem gente, consentido,
de sabedoria e desgraça ao mesmo tempo
que me invade numa literatura sem tempo.
Que dor, que cólicas, que tristeza.
Que dor, que cólicas, que tristeza.
Que dor, que cólicas, que tristeza.
Esvaio-me aos pingos para aqui
e espero por ti
que em mim não és
nem poderias ser, sem me conhecer
ou sequer existir.
Raios, diabo, caramba.
Quem sou? Este ar que se desaba...
é o vento gélido dum moinho soprado
até mim em vontades estagnado.
Círculos, piruetas e uma atmosfera
absurda e asceta de sofrida
sem motivo, de quê, ou ilusão.
Regurgito palavras e numa esfera
sem gente, consentida,
invado-as repentino sem motivo vão.
E tu, onde estás?
Que é de ti......
Escusas de te ir embora,
lá porque não existes...
Onde estás? MAS ONDE ESTÁS??????
é o movimento sem gente, consentido,
de sabedoria e desgraça ao mesmo tempo
que me invade numa literatura sem tempo.
Que dor, que cólicas, que tristeza.
Que dor, que cólicas, que tristeza.
Que dor, que cólicas, que tristeza.
Esvaio-me aos pingos para aqui
e espero por ti
que em mim não és
nem poderias ser, sem me conhecer
ou sequer existir.
Raios, diabo, caramba.
Quem sou? Este ar que se desaba...
é o vento gélido dum moinho soprado
até mim em vontades estagnado.
Círculos, piruetas e uma atmosfera
absurda e asceta de sofrida
sem motivo, de quê, ou ilusão.
Regurgito palavras e numa esfera
sem gente, consentida,
invado-as repentino sem motivo vão.
E tu, onde estás?
Que é de ti......
Escusas de te ir embora,
lá porque não existes...
Onde estás? MAS ONDE ESTÁS??????
domingo, janeiro 29, 2006
Berma azeda
Tudo o que é bom sabe a morte,
todo o possível é nulo
quando não se tem suporte,
quando se está num casulo.
Não sei mais o que vos diga,
não vos quero dizer mais,
quero contrariar a fadiga
em mil estrebuchos fatais.
Quero à berma de sofrer
cambalear sem equilíbrio
para tentar esquecer
que fingir não é estar ébrio.
Tudo quer ser sorte,
mas quando se morde,
o sabor foi para Norte.
O meu espelho é um fiorde.
Tudo o que é bom sabe a morte,
todo o possível é nulo
quando não se tem suporte,
quando se está num casulo.
Não sei mais o que vos diga,
não vos quero dizer mais,
quero contrariar a fadiga
em mil estrebuchos fatais.
Quero à berma de sofrer
cambalear sem equilíbrio
para tentar esquecer
que fingir não é estar ébrio.
Tudo quer ser sorte,
mas quando se morde,
o sabor foi para Norte.
O meu espelho é um fiorde.
terça-feira, janeiro 24, 2006
Dois em um
I
Dualidade
E agarro-te as crinas de amor equídeo.
E solto-te o dorso de vontade curva.
E abraço-te o galope de rédea turva.
E sorrio a tua boca de arfar canídeo.
E entoas-me os olhos em embalo cantante.
E diluis-me o cérebro em carícia melódica.
E afagas-me a dor em torrente espasmódica.
E sorris o meu ouvido em ardor falante.
E persigo-te a coxa pela viela acima.
E encurralo-te a língua no fundo do beco.
E esgano-te os seios no crime que disseco.
E espio o teu sufoco pelo ventre que me mima.
E arrependes-me o amargo em rios de beijos.
E invejas-me a doçura em aperto embebido.
E estonteias-me o sexo em prazer derretido.
E ecoas o meu clímax em catarata de desejos.
II
Unicidade
Velejamos juntos nos altos mares
dos nossos líquidos corporais,
despertando graças aos seus sais,
desmaiados pelo ofegante dos ares.
Dormimos por ignorar tudo o mais
que não os sonhos puros. Os azares,
as desavenças vão para outros lares;
ficamos unidos por cordões umbilicais.
Acordamos por deixarmos para trás,
sob os pretextos dos desejos carnais,
os insaciáveis meandros sociais
que nos consomem. Em paixão assaz
os desprezamos. A sós, somos totais.
Com pudor, renegamos esse capataz;
fodemos contra a inadequação incapaz.
Fundimo-nos num só. Dois é demais.
III
Omni-falsidade
De repente, qual óvulo abortado,
cessou a união,
e de um pulo foi para seu lado
cada um, em aversão.
É que lemos nas entrelinhas
da Natureza consumada
que estava cheia de espinhas.
A sociedade odiada
entranhou-se em nós, e ao receber
a sua mensagem subliminar,
digerimos que não se pode romper
um tão implantado invólucro de azar.
Ao tentar transcender o comunicativo,
o impulso que nos movia
já não era o banal ímpeto lascivo;
era o de ser quem se deveria,
segundo ela; obedecermos aos seus caprichos, sua métrica.
segunda-feira, janeiro 23, 2006
E quando a inspiração são quadros clássicos de figuras sem moldura num âmbito exterior, revivem-se infâncias emocionais e memórias às migalhas, em esperança de destroçar o historial afastado e queimar o rastilho do decorrer faminto. Em tom político, solicito intervenções, em agnóstica adequação à circunstância, diminutamente revitalizada num corpo imaginário. O cérebro circunscreve-se de conflituosos cenários de reposição de uma estátua indefinida de corroída por ácidos de realidade. Pelo meio, está-se ainda à espera de desencontros antigos, espera-se pelo concerto final de Smashing Pumpkins a que não se foi, espera-se pelo concerto final de Faith No More a que não se foi, ou até pelo concerto final de Morphine, a que se foi em insuficiência ignorante. A filosofia do derradeiro dá lugar a uma derradeira asfixia de filosofias, num abraço preemptório ao sufoco invísivel, já expirado. A morte esquecida ao canto da tela, em moribundos quadros à vida. O fardo expressivo engolido por uma colecção de instantes e impulsos afixados num muro confuso e de Berlim. Separa-se o sonho do separatismo, e salta-se para uma face pouco gravítica desse rosto da evolução, e aguarda-se que a sua evacuação deixe de ser um quase. Artifícios da arte, única salvação possível, conquanto, enfim... impossível. Enfim...
sábado, janeiro 21, 2006
Entretanto, e distendendo um pouco o contínuo do tempo, em afastamento, revejo-me menos sóbrio de vontades, menos aglutinado de globalização espiritual. Refiro-me às últimas poucas semanas, em que larguei o corrimão do sítio recente e deslizei um pouco mais por ziguezagues da vontade e da palavra em verbalização hipotética, o anunciamento futurista da necessidade. Reidentifiquei objectos, qual detective num jardim que sua a crime ao sol. Reidentifiquei imediatizações, arrastos de mentalidade e incertezas pendentes subjugadas a uma voz de zaragata inaudível em aspiração a fraterna. Hesitei também, o que me leva a acautelar a prenúncia de desenfreada descida de ski em gélido íngreme. Aqui, uma prova concreta, no misto mistificado de pertinência com sensação de pertinência. Mas, claro, todo este crescente agitar evolucionista é mero sinónimo do mais vago ondular que o precede, em semânticas de materialização.
Uma pessoa mínima cresce de interrogação.
O que quer saber ao certo? Incertezas?
Quer saber memórias esmagadoras que a tragam de volta, na sua dimensão original, imperturbável e extinta.
Quer luzir e reluzir na noite iluminada de escuridão.
Quer isso tudo. É velho e sabido.
Velha é também a inconclusividade para lá do primeiro passo.
Regenere-se pois, quiméricamente, a idade perdida, em passos físicos e reais.
Uma calçada torta, e o andamento de uma leve palavra, e o nervo espreitante agachado.
A ressalva interna do vazio dissipador, e o pensamento dividido entre o que quer que fosse e vagos impulsos, quais guilhotinas contraídas.
Há aqui uma bifurcação: ora se subverte a mentira, ora se subverte o natural.
Em geral, prossegue-se, de pensamento controlado, abstraído e são.
Continua-se, e os pilares assentam, balanceando de moles.
Dão-se umas trepadelas verbais e gestuais.
Algures na caminhada, alguém que não existe os chama de moles.
Ignora-se ainda.
Ainda na caminhada, alguém que existe reage de certa e determinada maneira.
Antes da bifurcação, é dada continuidade à pureza até um certo ponto, por firmar.
Tem-se o cuidado de não sentir a reacção antes de a observar, em circunstâncias que não sejam especialmente agrestes, ou especialmente preconcebidas de um fracasso inconsciente.
É nessa altura que há o ricochete de multiplicidade.
Quando do esboço e da construção sobressai, em angariamento obreiro, um espaçamento extra e arriscado.
De súbito, em três tempos, a continuidade transforma-se num sobressalto invísivel, a construção transforma-se em continuidade exteriorizada de vigas rectílineas e o momento é um e acaba.
Fundada em hipótese, a pessoa perpassa, estranhando por vezes, ou, embalada pelos seus anos divertidos, repisa os sonhos em resposta prematura, que por isso não o é, ou, embalada pelos seus anos aborrecidos, segue em frente após denotar (sem denotar) um enfim normalizado, como o de quem remete um envelope para a caixa postal da falta de expectativa por razões de nexo.
Fundida em hipótese, a lâmpada imaginativa renega o escuro e mantém os fusíveis ateados, após o curto circuito.
Em caso de gravidade com impacto, deixa-se arrefecer o exaustor primeiro.
Redesperta-se para outro prosseguir, ora sonolento, ora de intermitente, ora de luz possante de certezas por instantes.
De regresso ao fim de página, vindo do meio da rua, o homenzinho encontrou as respostas às perguntas de cabeçalho?
Não. Perdeu-se num passeio qualquer.
Passeou-se em outras respostas quaisquer, mas regressou para casa no ponto de viragem.
O que quer saber ao certo? Incertezas?
Quer saber memórias esmagadoras que a tragam de volta, na sua dimensão original, imperturbável e extinta.
Quer luzir e reluzir na noite iluminada de escuridão.
Quer isso tudo. É velho e sabido.
Velha é também a inconclusividade para lá do primeiro passo.
Regenere-se pois, quiméricamente, a idade perdida, em passos físicos e reais.
Uma calçada torta, e o andamento de uma leve palavra, e o nervo espreitante agachado.
A ressalva interna do vazio dissipador, e o pensamento dividido entre o que quer que fosse e vagos impulsos, quais guilhotinas contraídas.
Há aqui uma bifurcação: ora se subverte a mentira, ora se subverte o natural.
Em geral, prossegue-se, de pensamento controlado, abstraído e são.
Continua-se, e os pilares assentam, balanceando de moles.
Dão-se umas trepadelas verbais e gestuais.
Algures na caminhada, alguém que não existe os chama de moles.
Ignora-se ainda.
Ainda na caminhada, alguém que existe reage de certa e determinada maneira.
Antes da bifurcação, é dada continuidade à pureza até um certo ponto, por firmar.
Tem-se o cuidado de não sentir a reacção antes de a observar, em circunstâncias que não sejam especialmente agrestes, ou especialmente preconcebidas de um fracasso inconsciente.
É nessa altura que há o ricochete de multiplicidade.
Quando do esboço e da construção sobressai, em angariamento obreiro, um espaçamento extra e arriscado.
De súbito, em três tempos, a continuidade transforma-se num sobressalto invísivel, a construção transforma-se em continuidade exteriorizada de vigas rectílineas e o momento é um e acaba.
Fundada em hipótese, a pessoa perpassa, estranhando por vezes, ou, embalada pelos seus anos divertidos, repisa os sonhos em resposta prematura, que por isso não o é, ou, embalada pelos seus anos aborrecidos, segue em frente após denotar (sem denotar) um enfim normalizado, como o de quem remete um envelope para a caixa postal da falta de expectativa por razões de nexo.
Fundida em hipótese, a lâmpada imaginativa renega o escuro e mantém os fusíveis ateados, após o curto circuito.
Em caso de gravidade com impacto, deixa-se arrefecer o exaustor primeiro.
Redesperta-se para outro prosseguir, ora sonolento, ora de intermitente, ora de luz possante de certezas por instantes.
De regresso ao fim de página, vindo do meio da rua, o homenzinho encontrou as respostas às perguntas de cabeçalho?
Não. Perdeu-se num passeio qualquer.
Passeou-se em outras respostas quaisquer, mas regressou para casa no ponto de viragem.
sexta-feira, janeiro 20, 2006
Vindo de lá, do país das pessoas gigantes. Pulos imperiais pela anarquia do pensamento vivência. Arcaicas fachadas de subconsciente cíume. Anoraks em chuva desigual imperdoável. Vindo de lá, de lado nenhum, em partes reais a descoberto. Os gritos vindos da desembocadura para onde vão mudos. Espirro de agitação nas ossadas hipóteses, uma leitura segunda. A escrita da reflexão borracha. O lápis esqueleto em sociedade. O perigo da esquina afia, e o carvão tatuado. A onda gigante lavagem, por entre gordura espessa acumulada. A saúde em mar internado. Bóias capacetes. Meia-ideia vertigem rombo no casco, em processo pirâmide. Cor confusa de difusão arco-íris. Aritmética cosmética em quadros. Jaulas e animais mágoas. Impotências divididas entre partos petroleiros e abortos derrames. Um filho de lá no mundo cá sem mundo mundo.
terça-feira, janeiro 17, 2006
sexta-feira, janeiro 13, 2006
E agora, estou no ressequir do vício, e espero que a pulsação vital da alma abrande, para de mais sonhos me enlear. Estou no culminar do princípio da noite, que se funde com o nascer do sol nesta linha de texto. Pouco iluminado, escrevo e sou chato, sou forçado e sou indiferente a tudo isso, enquanto coço as horas barbeadas pela lâmina do crime. Agrido os sons sem gaguejar, fervo as ideias sem me escaldar, destruo-me, sem me ser mais que a temperatura ambiente. Enquanto me anicho, frio de tão morno, submeto a lua à pontualidade inconsequente do meu brilho sombrio e vazio. Escrevo e espero, e espero. Aos pinotes num cavalinho de embalo de madeira, sublimo o rompante sem sensação, após me adornar do vago colar reluzente na inversão conceptual costumeira e nocturna. Beijo-me, e ao colar, em carícias quase sevícias para com o substrato diluído em pré-películas invariávelmente escuras. Para não variar, babo-me solvente e degenero no ventre umbilical da mãe apática, sorrindo de impressionismo. Sobre o ausente, regenero pós e tusso-os, doentios entes fraternos da impureza. Faço-me morte enquanto a noite se desprende das malhas vivas de consistência empatogénica. Destituo-me da batuta e a orquestra cala-se em chinfrim desarticulado, marioneta das separações entre segredos interiores mas subjacentes, pela harmonia. Em eco de atrito, a aceitação do estridente deita por terra a paisagem de verde, ao que claramente acorro com o fechar das cortinas e olhares. Morro, duna dorsal, em planície de areia montanhosa.
quinta-feira, janeiro 12, 2006
Hoje, mais sonhos, a juntar aos de ontem. É sempre bonita, a materialização etérea do que, norma diurna, são meros apeteceres de imediato engavetados, nas raras vezes em que sequer se dá por eles. Hoje sonhei com mistos de um filme que houvera visto há algum tempo (aquele da Bovarinha, do Manuel d'Oliveira... devem estar a ver qual é, sim, porque somos todos muito entendidos em matéria de cinema português, veneramo-los, aliás deveras.), (e que bela, divina actriz, aquela Leonor Silveira), e com uma viagem de carro, envolto de gente antiga e sem apreço pela minha presença. Mas naturalmente é no pormenor impossível de recriar que está a riqueza por contar. A verosimilidade do decorrer, mesmo nos seus espasmos de ficção pura ou peripsicótica, e ainda mais, a verosimilidade da entranhada comunicação em bermas de conflito. Tudo isto dá aos sonhos uma textura de vida densa de tricotar. Como todos sabem, de resto... Ontem, sonhei com algo mais. Um andar no Chiado, e da janela, uma outra pessoa antiga, em vias de abismal desespero na estrada abaixo, disperso na intensidade da escassez de esgares, e em comunhão com os seus ouvidos surdos e suicidas, em discussão apagada mas acesa com alguém que pretensamente se lhe dirige, saturando-a em acréscimo. Arranco-a por uns momentos da travessia, e desco, e subimos, e descemos, e pelo meio, uma também interacção em insuficiência, contudo esta à partida, e por natureza, sem negatividade, sob um signo de alguma amizade, apenas poluída pelo desenrolar dos nervos, pela tomada de consciência do vago no entendimento, da dispersão das mensagens, e até mesmo do seu processo de criação em mim. Revejo, em aflitiva impotência, a medida dos momentos em transbordo de névoa que não consigo esclarecer. E ao mesmo tempo a vontade de não ser a sobrecarga da cabeça em implosão alheia, a vontade extrema de até poder fazer algo por isso... e a tendencial antítese disto, que é o momento resultante, e a chuva de antecipações de uma presença escusada e a mais. Mas tudo regulado pelo realizador sonho, de forma a não cair em demasia de exageros. Interessante.
Invasão e libertação
(varre-se o espaço potencial)
A intensidade que abarca
e navega embora
é pesada como uma arca
quando chega a hora
de a fechar ou abrir.
Pesa como o eclodir
de antecipações
feitas de limitações,
que apertam, revolvem
e desencaixam
a postura - súbitas vêm
e as costas rebaixam.
Do reinventar da forma,
o evento torna-se
apagado, pão sem fôrma,
sem festim. Torna-se
a tremer o desengano,
a drenar a paciência
do caule do gordo ano.
Assim se planta a demência.
Incontidos, os nervosos
piscares de olhos
e de reflexos pavorosos
são dos pães os môlhos
únicos e bolorentos,
os vagos adventos
do acentuado na frase.
São da ânsia mais uma fase.
Agito-me e cuspo-me.
Refuto com nojo
a paranóia e dispo-me
de complexo. Alojo
novo parque com lugar
para as viaturas
da poesia por criar
nos livros de capas duras.
(varre-se o espaço potencial)
A intensidade que abarca
e navega embora
é pesada como uma arca
quando chega a hora
de a fechar ou abrir.
Pesa como o eclodir
de antecipações
feitas de limitações,
que apertam, revolvem
e desencaixam
a postura - súbitas vêm
e as costas rebaixam.
Do reinventar da forma,
o evento torna-se
apagado, pão sem fôrma,
sem festim. Torna-se
a tremer o desengano,
a drenar a paciência
do caule do gordo ano.
Assim se planta a demência.
Incontidos, os nervosos
piscares de olhos
e de reflexos pavorosos
são dos pães os môlhos
únicos e bolorentos,
os vagos adventos
do acentuado na frase.
São da ânsia mais uma fase.
Agito-me e cuspo-me.
Refuto com nojo
a paranóia e dispo-me
de complexo. Alojo
novo parque com lugar
para as viaturas
da poesia por criar
nos livros de capas duras.
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Ena pá. Hoje e agora estou contente por não sei quê, não sei quem. Sinto uma presença aqui mesmo atrás de mim, a acariciar-me as costas com o seu bafo quente e nostálgico. Mais invisível que irreal, esta saudade transcrita em imaginação vívida e aconchegante, tanto que a sinto pairar no mesmo sobre que a minha aura.
A sensação física, tão intrínseca e, portanto, psicológica... Um completo baralho de emoções e de descartados desassossegos. Em prenúncia do sono, mas sem o banal da luz e cabeça apagadas. A parte boa de todas as partes do todo, espalhando-se quais bactérias de apego afagando o sangue sem difuso dos momentos, o aglomerado de uma manhã independente do sol que a noite esconde ainda, algures. Tão distante quanto a efemeridade disto tudo, tão futuramente imponente quanto a longevidade disto tudo.
Uma vaga pena do inevitável. Mas curta, para não interromper todo este evitar, de um raro dócil, tão raro quão absoluto, dissolvendo todos os antagonismos no fluxo viral desta doença sublime. O rancor adoeceu na noite fria.
E enquanto o corpo dá sinais de substancial, avizinho-me da próxima divisão, mais sonolenta e ilegível. Esvaio-me enquanto perdura algum fantástico, de mim para lá de mim, mas sempre em mim. Que bom, ser um mundo e a camada de ozono de um mundo enquanto dura. Que bom, ser vítima da Biologia de carne, osso, e supra-real. Que bom, um bom completamente desarticulado, não fora o retiro implícito, em amálgama solene e sumarenta, das geometrias. Deformo-me em bom e rebolo-me. Pontapeio piões sem tontura, embrião na cama. Volteio-me sonhador.
Não páro nem prossigo, enquanto o meu espanto reconhece que, aqui, valho a pena. Indescritível valho a pena. Apesar.. apesar... apesar de..... apesar de nada. Neste aqui sem apesar, valho a pena.
A sensação física, tão intrínseca e, portanto, psicológica... Um completo baralho de emoções e de descartados desassossegos. Em prenúncia do sono, mas sem o banal da luz e cabeça apagadas. A parte boa de todas as partes do todo, espalhando-se quais bactérias de apego afagando o sangue sem difuso dos momentos, o aglomerado de uma manhã independente do sol que a noite esconde ainda, algures. Tão distante quanto a efemeridade disto tudo, tão futuramente imponente quanto a longevidade disto tudo.
Uma vaga pena do inevitável. Mas curta, para não interromper todo este evitar, de um raro dócil, tão raro quão absoluto, dissolvendo todos os antagonismos no fluxo viral desta doença sublime. O rancor adoeceu na noite fria.
E enquanto o corpo dá sinais de substancial, avizinho-me da próxima divisão, mais sonolenta e ilegível. Esvaio-me enquanto perdura algum fantástico, de mim para lá de mim, mas sempre em mim. Que bom, ser um mundo e a camada de ozono de um mundo enquanto dura. Que bom, ser vítima da Biologia de carne, osso, e supra-real. Que bom, um bom completamente desarticulado, não fora o retiro implícito, em amálgama solene e sumarenta, das geometrias. Deformo-me em bom e rebolo-me. Pontapeio piões sem tontura, embrião na cama. Volteio-me sonhador.
Não páro nem prossigo, enquanto o meu espanto reconhece que, aqui, valho a pena. Indescritível valho a pena. Apesar.. apesar... apesar de..... apesar de nada. Neste aqui sem apesar, valho a pena.
domingo, janeiro 08, 2006
Hoje não estou para sentimentalismos perdidos de antemão no exacerbado da frase. Não estou numa de carregar os momentos de um fardo poético ou estilístico. Não estou para me contrabandear em negócios a milhas da China silente. Por isso, em tom pouco surpreendentemente antagónico (sou-me previsível), não vou postar.
:P
:P
Atalhos
Na estrada do falso, em implantes
de adoração, um novo cadafalso.
Como o voo de um faisão, os amantes
perseguem-se altivos e cruéis
nos seus despiques lascivos,
em quartos empíricos de hotéis.
Passa para o impulso a convulsão
da mente, do coração para o pulso
a força carente em sagrada união.
Pouco matrimonial, a identidade
dos humanos é a parelha sazonal
que une, em planos de sonoridade,
o timbre à boca, a voz à língua,
em metáfora rouca, quase louca,
de apagar, por fora, a míngua.
Em escala preliminar, a imagética
soluciona toda a surdina do pensar
quando equaciona os berros do olhar.
Porém, na falácia de observarem bem,
no patamar do activo, da experiência,
focam-se no trancar da divisão além,
e cerram a paisagem que existira,
por dimensionar, em inútil embalagem.
De um atalho o tomar é adiar a ira.
Na estrada do falso, em implantes
de adoração, um novo cadafalso.
Como o voo de um faisão, os amantes
perseguem-se altivos e cruéis
nos seus despiques lascivos,
em quartos empíricos de hotéis.
Passa para o impulso a convulsão
da mente, do coração para o pulso
a força carente em sagrada união.
Pouco matrimonial, a identidade
dos humanos é a parelha sazonal
que une, em planos de sonoridade,
o timbre à boca, a voz à língua,
em metáfora rouca, quase louca,
de apagar, por fora, a míngua.
Em escala preliminar, a imagética
soluciona toda a surdina do pensar
quando equaciona os berros do olhar.
Porém, na falácia de observarem bem,
no patamar do activo, da experiência,
focam-se no trancar da divisão além,
e cerram a paisagem que existira,
por dimensionar, em inútil embalagem.
De um atalho o tomar é adiar a ira.
sábado, janeiro 07, 2006
Talvez
Estou sempre em mudança
a caminho de acolá.
Não sei porque dança
a minha mente, maná
de esoterismos milhentos.
Procuro mentiras fáceis,
talvez. Procuro pôr acentos,
de vez, nas horas a mais,
talvez. Não procuro nada,
e isso aflige-me. Talvez.
Talvez pão, talvez empada,
talvez, talvez, talvez...
Por fermentar desta incerteza,
o centeio da minha vivência,
e talvez, quem sabe, a beleza
de um sabor meu em conivência
com a demanda que acarreto.
Mas talvez, quem sabe, seja
este mesmo fervilhar no espeto
o fermento que o poema almeja -
talvez, quem sabe, o português
da minha voz quando interrogada.
talvez, talvez, talvez...
Calo-me farto da encruzilhada.
Estou sempre em mudança
a caminho de acolá.
Não sei porque dança
a minha mente, maná
de esoterismos milhentos.
Procuro mentiras fáceis,
talvez. Procuro pôr acentos,
de vez, nas horas a mais,
talvez. Não procuro nada,
e isso aflige-me. Talvez.
Talvez pão, talvez empada,
talvez, talvez, talvez...
Por fermentar desta incerteza,
o centeio da minha vivência,
e talvez, quem sabe, a beleza
de um sabor meu em conivência
com a demanda que acarreto.
Mas talvez, quem sabe, seja
este mesmo fervilhar no espeto
o fermento que o poema almeja -
talvez, quem sabe, o português
da minha voz quando interrogada.
talvez, talvez, talvez...
Calo-me farto da encruzilhada.
Em obscenidade satírica,
crivado de necessidade
pelo olhar perfeito
de uma lâmpada pouco forte,
artefacto suave
da iluminação obesa,
martirizo-me em vigilâncias
de olhares imperfeitos
numa mente-viela escurecida,
em desígnio ilustrativo.
Sou-me, imagem, na acepção
do que me seria, imagem,
e danço em papel virtual,
solene, à escuta
de passos abafados,
tímido de concretas sonoridades
durante as variações do monótono.
Pinto-me manchas coloridas
e sardentas, personificadas
no papel impessoal
da noite serena,
de uma obscenidade amena,
como quem viola tântrico
as roupas desbotadas de pudor
na sexualidade da obra,
mescla orgíaca e mestiça
de olhares rompantes e belos.
Visões do mérito na hora
dão forma etérea ao etéreo
interior da hora interna
ao relógio que pulsa sangue
e esboça visivelmente individual
a dissolução do palpitar
na irrigação invisível.
Brindo-me em sonho passante
sem treva, e esclareço
os sentidos sob débil iluminação.
Leio-me a outra face da moeda
inconstante e sorrio no seu reflexo
enquanto não cai, ressacada.
Suspiro as redondezas
em tom de liberdade
e destruo citadinas fortalezas
sem ser preciso fazer nada.
Obedeço-me sem ordem
num papel em flor
em campos perfumados de mim.
Estóicas conquistas da paz.
Penduro-me aqui.
Perduro-me.
crivado de necessidade
pelo olhar perfeito
de uma lâmpada pouco forte,
artefacto suave
da iluminação obesa,
martirizo-me em vigilâncias
de olhares imperfeitos
numa mente-viela escurecida,
em desígnio ilustrativo.
Sou-me, imagem, na acepção
do que me seria, imagem,
e danço em papel virtual,
solene, à escuta
de passos abafados,
tímido de concretas sonoridades
durante as variações do monótono.
Pinto-me manchas coloridas
e sardentas, personificadas
no papel impessoal
da noite serena,
de uma obscenidade amena,
como quem viola tântrico
as roupas desbotadas de pudor
na sexualidade da obra,
mescla orgíaca e mestiça
de olhares rompantes e belos.
Visões do mérito na hora
dão forma etérea ao etéreo
interior da hora interna
ao relógio que pulsa sangue
e esboça visivelmente individual
a dissolução do palpitar
na irrigação invisível.
Brindo-me em sonho passante
sem treva, e esclareço
os sentidos sob débil iluminação.
Leio-me a outra face da moeda
inconstante e sorrio no seu reflexo
enquanto não cai, ressacada.
Suspiro as redondezas
em tom de liberdade
e destruo citadinas fortalezas
sem ser preciso fazer nada.
Obedeço-me sem ordem
num papel em flor
em campos perfumados de mim.
Estóicas conquistas da paz.
Penduro-me aqui.
Perduro-me.
Fito um muro. Reflicto nas poesias fartas e absortas na vontade de se estar absorto. Durmo de concentração e solene esvaio-me em simplicidade, dorida ao de leve. Aclareiam-se-me as emoções de um aferrolhar estonteante enquanto me busco quimérico em falta de memórias. Dois, três, talvez quatro sinais do prévio reluzem pouco distintos, e o meu cérebro é possuído por uma luz que asfixia a cor do neurónio. Pinto-me baço na noite corrida, o nada em corrimento. Agarro-me torto ao corrimão mole e tento rasgar o meu papel de habitante domiciliário com mãos histéricas. No oxigénio um palpitar demasiado. Se assento, desconsolo. Além do mais, mas de tudo o menos, uma obrigação distante na mesa anexa. Mas se, no decurso de ultimamente, já deixei esvoaçante esta outra, preponderante búsilis de humidade seca... Fiz mal. Forçaram-me a cabeça na abertura mínima sem espaço, de ideias tornadas tempo estéril e de rituais disciplinares em dias torpes e submissos. Obrigaram-me a uma anestesia falsa, enquanto a estrutura se recompunha básica e vincada por ruína em cima do ex-Pedro. Saltearam-me o banco de poupanças assaltantes e próprias. Numa bifurcação que se calhar nem existe, interrogo-me talvez estúpido qual das vertentes do espelho indefinido me garante. Tudo a traços ajoelhados em borrão. Que dor de vazio, que dor de passado, que dor de dor...
Ontem, de madrugada:
Calma implosão
Moreno selvático com brio
ao espelho de luz parcial
e brilhante,
faço-me forte numa calma sem sono.
Descalço as etnias da sensação
e escorrego brusco.
Afundo a palma da altivez
na minha mão cega
e berro sem Deus.
Em Odisseia sem Graal obtuso
abarco a lividez de viagem
e assumo-o, tornado forte.
Obtuso tornado natural num revolver
de ânsias meridionais
e inteiras.
Ameaça franca do revólver imaginário,
em crimes no papel menos liso
e coretos de raiva.
Aspiro bocal o terreno platónico
numa espera ciclónica de cobertor
e a nocturna proximidade do fim adiado.
Calma implosão
Moreno selvático com brio
ao espelho de luz parcial
e brilhante,
faço-me forte numa calma sem sono.
Descalço as etnias da sensação
e escorrego brusco.
Afundo a palma da altivez
na minha mão cega
e berro sem Deus.
Em Odisseia sem Graal obtuso
abarco a lividez de viagem
e assumo-o, tornado forte.
Obtuso tornado natural num revolver
de ânsias meridionais
e inteiras.
Ameaça franca do revólver imaginário,
em crimes no papel menos liso
e coretos de raiva.
Aspiro bocal o terreno platónico
numa espera ciclónica de cobertor
e a nocturna proximidade do fim adiado.
quarta-feira, janeiro 04, 2006
Ontem, de madrugada:
Vaivém de desejo
Lá estou eu, sempre a querer,
como se eu não me chegasse...
A igreja quer burburinhos:
rezas, súplicas, meninos
a chorar... por isso lhe tocam os sinos.
O ovo quer pintainhos.
Se a galinha o vemos a chocar,
é porque ele precisa muito de rachar.
O jardim quer abelhinhas
a voar. Musical, deixa-se florir
de cores cantantes para o ar ouvir.
Basta, basta! Tudo leva a crer
que com o desejo tudo tem um enlace.
O que me leva então, plantas minhas,
a vos regar com sumos de cansaço?
Que árvore frondosa e invísivel tem um laço
com este meu voo tão surdo aos galinheiros
que se chilreiam destinos para onde quer que eu vá,
polinizando em mim o nascimento de um "Bah"?
Na gema da aflição, busco isqueiros
que religiosos me alumiem o prédio
cuja construção tilinte contra o tédio.
Mas, nas suas paredes, leio a frase:
"lá estou eu, sempre a querer"...
Vaivém de desejo
Lá estou eu, sempre a querer,
como se eu não me chegasse...
A igreja quer burburinhos:
rezas, súplicas, meninos
a chorar... por isso lhe tocam os sinos.
O ovo quer pintainhos.
Se a galinha o vemos a chocar,
é porque ele precisa muito de rachar.
O jardim quer abelhinhas
a voar. Musical, deixa-se florir
de cores cantantes para o ar ouvir.
Basta, basta! Tudo leva a crer
que com o desejo tudo tem um enlace.
O que me leva então, plantas minhas,
a vos regar com sumos de cansaço?
Que árvore frondosa e invísivel tem um laço
com este meu voo tão surdo aos galinheiros
que se chilreiam destinos para onde quer que eu vá,
polinizando em mim o nascimento de um "Bah"?
Na gema da aflição, busco isqueiros
que religiosos me alumiem o prédio
cuja construção tilinte contra o tédio.
Mas, nas suas paredes, leio a frase:
"lá estou eu, sempre a querer"...
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